Autoria: Enf. Me. Janaina Eduarda Amarante Gonçalves Bispo – Analista em Saúde Pública/ Educação na Saúde.
A neurologia tem avançado muito na identificação e cuidado às doenças neurodegenerativas (condições crônicas e progressivas que afetam os neurônios), dentre elas, condições incuráveis, a exemplo da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
Infelizmente a ELA é uma doença grave e rápida em termos de degeneração. Esta condição é caracterizada por degenerar os neurônios motores superiores e inferiores (células do sistema nervoso presentes no cérebro e na medula espinhal) responsáveis pelos movimentos voluntários. Funções como a fala, a deglutição, a respiração e movimentos dos membros superiores e inferiores ficam comprometidos, como também o tronco, pescoço, bem como do diafragma ocorrendo paralisia total. Ou seja, as funções essenciais ficam comprometidas.
Algo unânime na literatura é a tendência genética para o desenvolvimento da Esclerose Lateral Amiotrófica. Fatores como a idade (mais comum entre 55 e 75 anos), sexo biológico (homens são mais propensos), raça e etnia (caucasianos não hispânicos possuem maior probabilidade de desenvolver a doença) são apontados com importantes. Entre 90% a 95% dos diagnósticos são de casos esporádicos, enquanto formas hereditárias compreendem de 5% a 10% dos casos.
– Genes envolvidos:
Pode ser realizada a identificação de mutações em genes associados a ELA, como o gene C9orf72, SOD1 e FUS. Essa identificação pode ser realizada por meio de técnicas moleculares. Estudos recentes como o de Wang, Guan e Deng (2023) identificaram genes adicionais: ANXA11, ARPP21, CAV1, C21ORF2, CCNF, DNAJC7, GLT8D1, KIF5A, NEK1, SPTLC1, TIA1 e WDR7.
Apesar de ser compreendido o mecanismo de desenvolvimento da ELA, o diagnóstico ainda é demorado (estima-se cerca de quatorze meses para a confirmação). São utilizados exames como: eletroneuromiograma, Ressonância Magnética com técnica MTC / SET1; Ressonância Magnética com espectroscopia; Imagem por tensão de difusão (DTI); Estimulação magnética transcutânea; Teste eletrofisiológico com contagem de unidades motoras (MUNE), proteína C-reativa e eletroforese de proteínas séricas, cujos resultados devem estar dentro da normalidade.
Faz-se essencial para busca do diagnóstico correto a identificação do enrijecimento da coluna lateral da medula espinhal e degeneração muscular. A sensibilidade fica mantida, pois não são afetados neurônios sensitivos.
A atuação profissional deve ser multi, ou seja, com a participação conjunta de diferentes áreas, como: enfermagem, medicina (clínica e especializada), fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, entre outras áreas que são necessárias para o cuidado visando retardamento da degeneração, conforto e assistências paliativas.
A ELA pode ser classificada da seguinte maneira:
ELA SUSPEITA
- Sinais de NMI em uma ou mais regiões.
A disfunção sensitiva (perda de sensibilidade) é incompatível com o diagnóstico de ELA
ELA POSSÍVEL
- Sinais de NMS e NMI em uma região somente.
ELA PROVÁVEL COM SUPORTE LABORATORIAL
- Sinais de NMS e NMS em uma região ou sinais de NMS, em uma ou mais regiões, associados à evidência de desnervação aguda na eletroneuromiografia (ENMG) em dois ou mais segmentos.
ELA PROVÁVEL
- Sinais de NMS e NMI em duas regiões, (bulbar, cervical, torácica ou lombossacral) com algum sinal de NMS rostral aos sinais de NMI.
ELA DEFINITIVA
- Sinais de NMS e NMI em três regiões (bulbar, cervical, torácica ou lombossacral).
*Região bulbar: bulbo raquidiano é a parte terminal do tronco encefálico.
Fontes
Linden Junior, E., Linden, D., Bareta de Mathia, G., Brol, A. M., Heller, P., Duran Traverso, M. E., … Gomes da Silva Filho, I. Esclerose Lateral Amiotrófica: artigo de atualização. Fisioterapia Em Ação – Anais eletrônicos, 47–62. 2016.
Ministério da Saúde. Esclerose Lateral Amiotrófica. Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 13, de 13 de agosto de 2020. Disponível em: www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/portaria_conjunta_pcdt_ela.pdf.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde. Protocolo Clínicas e Diretrizes Terapêuticas da Esclerose Lateral Amiotrófica. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 36 p.






