Anemia Falciforme

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Autoria: Janaina Eduarda Amarante Gonçalves Bispo – Analista em gestão da Educação em Saúde na FUNESA.

A anemia falciforme é uma doença hereditária, hematológica (doenças no sangue). É causada por produção de hemoglobina alterada morfologicamente. Comumente em seres humanos a hemoglobina é do tipo A, porém pessoas com anemia falciforme apresentam a hemoglobina do tipo S (com hemácias em foice).

Essa alteração é provocada por mutação genética que afeta o DNA. A mutação é herdada do pai e da mãe, quando um genitor biológico é traço falciforme (AS) e outro normal (AA) a probabilidade de terem filhos portadores de traço falciforme (AS) é de 50% e de ter filhos normais é de 50%, não tendo probabilidade de ter filhos com anemia falciforme.

Se um genitor tem traço falciforme (AS) e o outro tem anemia falciforme (SS), a probabilidade de ter filhos com anemia falciforme (Hb SS) é de 50% e de ter filhos com traço falciforme (Hb AS) é de 50 % também. Se o genitor tem anemia falciforme (SS), 100% dos filhos terão anemia falciforme. Quando um dos genitores não tem traço e nem anemia falciforme (AA) e o outro tem anemia falciforme (SS) 100 % dos filhos terão traço falciforme.

A partir da hemoglobina S, as hemácias (células do sangue que carreiam a molécula de oxigênio) se tornam falcizadas, mais rígidas e tendem a ficar estagnadas nos vasos sanguíneos e órgãos. É perceptível uma circulação lenta, sendo que dessa forma há diminuição da saturação de oxigênio (concentração).

Sinais e sintomas:

– Olhos amarelados (icterícia);

– Febre;

– Infecções;

– Baixa saturação de oxigênio;

– Desidratação;

– Dores;

– Alterações ósseas, inchaços nos membros;

– Inflamações, úlceras pelo corpo (inclusive olhos);

– Crescimento do baço (esplenomegalia);

– Enfartes teciduais;

– Úlceras venosas;

– Insuficiência renal;

– AVC.

A anemia falciforme tem origem na África, e é bastante difundida no Brasil. E se espalhou pelas Américas com tráfico humano de pessoas negras. Essa é uma das explicações sobre a origem.  Após a implementação do teste do pezinho pelo SUS foi possível identificar mais pessoas com anemia falciforme no Brasil.

Por reconhecer de que existe uma freqüência considerável de pessoas com Doença Falciforme no Brasil (consequentemente a Anemia Falciforme), o Ministério da Saúde implantou em 2005 a Política Nacional de Atenção Integral das Pessoas com Doença Falciforme (PNAIPDF). Essa política tem o objetivo de diminuir a taxa de morbimortalidade. Para acompanhamento, identificação, diagnóstico e monitoramento essa política conta ainda com o Programa Nacional de Triagem Neonatal, as políticas de saúde da mulher e Rede Cegonha (atualmente Rede Alyne), ou seja, atenção à saúde materna e infantil no Brasil.

Para diminuir a incidência da doença falciforme e consequentemente da anemia falciforme é indicado o aconselhamento genético e o transplante de medula óssea com quimioterapia (para cura definitiva).

A assistência a pessoa com anemia falciforme se concretiza via Atenção Primária, Atenção especializada e Atenção Hospitalar. Adultos também podem passar por exames laboratoriais para diagnósticos nas unidades de saúde de referência de cada região.

 

FONTES:

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Manual da anemia falciforme para a população / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2007. 24 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n.º 1.391, de 16 de agosto de 2005. Institui no âmbito do Sistema Único de Saúde as diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias. Brasília, DF, 18 ago. 2005.

SOUZA, Allana Mota; SANTOS, Nathalya dos Santos Reis; SOUZA, Yan Guilherme de. Anemia falciforme: tratamento atual no Brasil e perspectivas futuras. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia) – Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2021.

MESIANO, Carlos Alexandre Monteiro. Anemia falciforme: fundamentos teóricos e práticos. Brasília: Centro Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, 2001. Trabalho de Licenciatura em Ciências Biológicas.

 

 BRASIL.Ministério da Saúde. Portaria Conjunta Nº 05, De 19 De Fevereiro De 2018. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Falciforme. Brasilia, DF, 2018.