Vacinação contra HPV

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Autoria: Enf(a) Me. Janaina Eduarda Amarante Gonçalves Bispo – Analista em Saúde Pública na FUNESA. 

HPV é a sigla em inglês para Papiloma Vírus Humano (Human Papiloma Vírus). Conhecido como o vírus causador do câncer do colo do útero, bem como de lesões precursoras de cânceres em diversas partes do corpo humano, como: vulva, ânus, vagina, garganta, boca, língua, entre outras. A infecção por esse vírus é considerada de alta prevalência. No Brasil, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo que mais acomete mulheres, segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Câncer em 2023. O risco é estimado de 15, 43 casos a cada 100 mil mulheres.

A prevenção é a melhor opção para evitar essa estatística e resguardar a vida de milhares de mulheres. Após décadas de estudos e desenvolvimento científico, estão disponíveis no Brasil três tipos de vacinas: bivalente (dois tipos de vírus), quadrivalente (quatro tipos de vírus) e nonavalente (nove tipos de vírus).

Os vírus HPV são classificados de acordo com o potencial oncogênico. A vacina bivalente engloba os tipos 6 e 18. A quadrivalente os tipos 6, 11, 16, 18 e a nonavalente engloba os tipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58.  O intuito é profilático (prevenção da infecção), porém essas vacinas também podem ser adotadas com o intuito terapêutico (após a infecção).

A vacina quadrivalente (HPV4) está disponível no SUS gratuitamente para meninas e meninos na faixa etária de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias (dose única). Público de extensão (até 30/06/2026): jovens de 15 a 19 anos (dose única). Casos especiais: pessoas de 9 a 45 anos que vivem com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, como também pessoas vítimas de abuso sexual, usuários de Prep e com imunodeficiências (necessitam de prescrição médica).  A vacina contra HPV está disponível pelo SUS desde 2014, mas a adesão ainda é baixa.

Atualmente existem diferentes tecnologias associadas à produção de vacinas: vacinas produzidas a partir do uso de ácidos nucléicos (DNA e RNA); a partir do uso de vetores virais, vírus inativados, vírus atenuados, uso de proteínas recombinantes. E no caso das vacinas contra HPV: VLP (Vírus Like Particles). Esse tipo de imunizante mimetiza a partícula do vírus sem conter o material genético viral. A vacina não provoca infecção e o vírus não sofre replicação. É um método seguro.

A baixa adesão é citada em pesquisas sobre os benefícios das vacinas contra os HPV. A conclusão é que a baixa adesão reforma a necessidade em Educação em Saúde e de medidas de conscientização para tentar dirimir o estigma entorno da vacinação (anti-cancêres) contra esses vírus.

Fontes

COSTA, Bianca Stephany Ramos; GUIMARÃES, Carolina; MORAIS, Caroline Rodrigues de; CAIXETA, Clara Ramos; CUNHA, Eduardo Prudêncio da; CAETANO, Gabriela Martins Guimarães; PESSÔA, Gabriela Rodrigues.  Uma revisão bibliográfica acerca da vacina contra o HPV e seus desafios. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 5, n. 2, p. 6392-6404, mar./apr. 2022. DOI: 10.34119/bjhrv5n2-212.

COSTA, B. M. da; ASSUMPÇÃO, J. dos S. de; FONSECA, L. H. G.; MENDONÇA, A. C. da F. A eficácia da vacina do HPV no Brasil. Brazilian Journal of Biological Sciences, v. 11, n. 25, p. 01-14, 2024. ISSN 2358-2731.

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Esclarecimento sobre os esquemas em vigor das vacinas HPV. Autora: Mônica Levi. Revisores: Juarez Cunha; Renato Kfouri; Rosana Richtmann. 15 abr. 2024.

LIBONATE, Renata dos Santos Oliveira. A implementação da vacina do HPV como agente de imunização. Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio – Formação em Citopatologia. Coordenação de Ensino. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde, 2019.