Julho Amarelo: Mês de luta contra as hepatites virais

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Por: João Cavalcante (Médico Telerregulador)        

                                                                                           Você sabia?

Que a mortalidade anual global por hepatite viral é comparável à do HIV, tuberculose ou malária e provavelmente excederá o número de vítimas dessas três doenças combinadas até 2040, se não mudarmos o cenário atual de conscientização?

O Dia Mundial das Hepatites Virais foi criado em 2010 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil,Lei nº 13.802/2019, instituiu o Julho Amarelo, a ser realizado a cada ano em todo o território nacional, no mês de julho, quando são efetivadas ações relacionadas à luta contra as hepatites virais.

Hepatite é a inflamação do fígado. Pode ser causada por vírus ou pelo uso de alguns medicamentos, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas. Hepatites podem ser silenciosas, nem sempre apresentando sintomas, mas, quando estes aparecem, podem ser cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

As hepatites virais B e C afetam 325 milhões de pessoas no mundo, causando 1,4 milhão mortes por ano. É a segunda maior causa de morte entre as doenças infecciosas depois da tuberculose, e 9 vezes mais pessoas são infectadas com hepatite do que com o HIV. A hepatite é evitável, tratável e, no caso da hepatite C, curável. No entanto, mais de 80% das pessoas que vivem com hepatite carecem de serviços de prevenção, testagem e tratamento. Estima-se que 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer primário de fígado sejam causados pelos vírus das hepatites B e C.

Por isso, os participantes da Cúpula Mundial sobre Hepatite, reunidos em Lisboa – Portugal no mês de abril, lançaram uma carta apelando por respostas simplificadas e descentralizadas à hepatite, que sejam integradas nos sistemas

de saúde, concebidas com a participação dos trabalhadores de saúde e a comunidade afetada.

Apelam também por uma aceleração do acesso a testes, tratamento e cuidados a quem deles precisa. Isto exigirá estratégias inovadoras de detecção de casos, prestação de serviços numa ampla gama de ambientes, incluindo prisões e serviços de redução de danos, compromisso e melhor colaboração para adquirir produtos aos preços mais baixos possíveis e investimento em serviços liderados pela comunidade para garantir que as pessoas que vivem com hepatite sejam apoiadas e vinculadas a cuidados que respondam às suas necessidades.

Para conseguir isto, solicitam uma maior priorização pela imediata eliminação da hepatite por parte dos governos. As respostas devem ser lideradas a nível nacional, ter o envolvimento significativo das comunidades afetadas e o financiamento interno deve ser comprometido com estas ações.

Conhecer – Evitar – Testar – Tratar – Eliminar a hepatite!

– Você está em risco? Seja testado! Testagem precoce significa tratamento precoce para prevenir doenças e salvar sua vida.

– Você está protegido? Hepatites B e C são evitáveis. A vacina contra hepatite B fornece proteção ao longo da vida. As hepatites B e C podem ser transmitidas por sexo, portanto, proteja-se usando preservativos.

– Seja forte: seja tratado ou curado de hepatite. Se você testou positivo, o tratamento deve ser iniciado sem demora.

– Vivendo com hepatite B? Algumas pessoas precisarão de tratamento e poderão se manter saudáveis com a terapia por toda a vida.
– Vivendo com hepatite C? O tratamento de 3 meses pode curar a infecção.

Para saber se há a necessidade de realizar exames que detectem as hepatites, observe se você já se expôs a algumas dessas situações:

– Condições precárias de saneamento básico e água, de higiene pessoal e dos alimentos (vírus A e E);

– se praticou sexo desprotegido ou compartilhou seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam (vírus B, C e D);
– da mãe para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação (vírus B, C e D).

Obs.: no caso das hepatites B e C, é preciso um intervalo de 60 dias após a exposição ao vírus para que os anticorpos sejam detectados no exame de sangue.

Referências Bibliográficas:

  1. Ministério da Saúde. 28/07 – Dia Mundial de Combate às Hepatites. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/28-7-dia-mundial-de-luta-contra-hepatites-virais-investir-na-eliminacao-da-hepatite/#:~:text=IN%C3%8DCIO-,28%2F7%20%E2%80%93%20Dia%20Mundial%20de%20Luta%20Contra%20Hepatites%20Virais%20%E2%80%93,4%20milh%C3%A3o%20mortes%20por%20ano. Acesso em 20 mai 2024.
  2. World Hepatitis Summit 2024. World Hepatitis Summit 2024 Declaration. Disponível em: https://worldhepatitissummit.org/pt/ . Acesso em 20 mai 2024.
  3. Pan American Health Organization (PAHO). One life, one liver.
    Scale up Access to Diagnosis and Treatment to Save Lives.. Disponível em: https://www.paho.org/en/campaigns/world-hepatitis-day-2023 . Acesso em 20 mai 2024.