Tele-educação aborda Saúde Mental do Trabalhador da Saúde

Posted on Posted in Fique Sabendo

     Orientar trabalhadores e gestores sobre ações de prevenção psicossocial e terapêuticas, autocuidado e assistência à saúde. Esse foi o objetivo principal da webpalestra “Saúde Mental do Trabalhador da Saúde: fatores de risco, protetivos e clínicos”, realizada nesta quarta-feira (31) pela Fundação Estadual de Saúde, através do Telessaúde Sergipe, com suporte da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Na oportunidade, foram divulgados fluxos e referências para acesso às ações do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da SES (CEREST/SE). A tele-educação foi voltada a gestores e profissionais de saúde de unidades assistenciais, especialmente os que estão na linha de frente da pandemia no novo coronavírus (covid-19).

     Ao discorrer sobre o tema, o psicólogo clínico, mestre em Psicologia Social e profissional do CEREST, Elder Magno Freitas, explanou assuntos como o impacto da pandemia; queixas e fatores de risco no trabalho em saúde; principais quadros psicopatológicos associados ao trabalho em saúde; níveis e estratégias de atenção em saúde mental no trabalho; diretrizes gerais de saúde mental no trabalho; e elementos de problematização.

     De acordo com o psicólogo, a situação de pandemia gerou, principalmente, falta de perspectiva sobre melhoria do cenário, medo e sobrecarga de trabalho. “A responsabilidade técnica diante do paciente crítico ou com covid-19 causou dificuldade de adaptação à mudança de rotina e elaboração de perda, irritabilidade e conflitos pessoais”, explicou Elder Magno. Ele acrescentou que a condição gera perturbação do sono e apetite, impossibilidade de luto e luto mal elaborado, ansiedade diante da incerteza – sentimento de insegurança ligada à alta demanda de trabalho, choro e perda do prazer no exercício profissional.

     Entre esses sintomas, um alerta para ajuda especializada pode envolver alterações no sono, alterações de apetite, dificuldade de concentração, pensamentos de culpa e morte e instabilidade de humor. Esses sintomas podem ser causados por acúmulo de tarefas e pressão por desempenho; jornadas intensas, múltiplos vínculos e continuidade de turnos; ruídos de comunicação e falta de participação no processo de trabalho associado à perda de autonomia e controle sobre as tarefas e decisões; expectativa de melhora e involução do quadro.

     Ainda segundo Elder, os quadros psicopatológicos podem gerar burnout; estresse pós-traumático; neurastenia; e episódio depressivo/depressão reativa. Diante dessa circunstância, o psicólogo também destacou a necessidade de trabalhar fatores de proteção, manejo de rotina e autocuidado, e estratégias de atenção – gestão de pessoas, psicossocial, clínico-individual. Na seara clínico-individual há aspectos a serem trabalhados como: experiência subjetiva e clínica individual; objetivos das intervenções; política de valorização associada a medidas de controle; e acolhimento e co-responsabilidade.

     Segundo a coordenadora do Telessaúde Sergipe, Eneida Ferreira, o núcleo, junto à Secretaria de Estado da Saúde, busca promover temas relevantes para os profissionais de saúde atuarem com ainda mais qualidade. “Hoje o foco foi voltado à saúde desse trabalhador, que tem atuado incansavelmente nesse momento tão desafiador para todos nós”, disse.