Dia Nacional de Combate ao uso de Drogas e Alcoolismo

Posted on Posted in Pílulas do Conhecimento

Por Vanessa Tavares de Gois – Teleconsultora

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença. O uso indevido de substâncias como álcool, cigarro, crack e cocaína é um problema de saúde pública de ordem internacional que preocupa nações do mundo inteiro, pois afeta valores culturais, sociais, econômicos e políticos (1). O alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada. Além da já reconhecida predisposição genética para a dependência, outros fatores podem estar associados: ansiedade, angústia, insegurança, fácil acesso ao álcool e condições culturais (1).

Dentre as políticas públicas adotadas na área de drogas mundialmente, como o controle da oferta e o acesso a serviços sociais e de saúde para usuários, a prevenção é a que apresenta a melhor relação custo-benefício para a redução tanto do consumo abusivo como de suas consequências. É estimado que, para cada dólar usado em programas de prevenção escolar, evita-se o gasto, em média, de 18 dólares com o custo social de problemas relacionados ao abuso de drogas (2). Entretanto, como as demais políticas, sua implementação tem sido menos baseada em evidências científicas e mais no que os políticos consideram importante (3).

A abordagem da redução de danos, não mais adotada pela política brasileira sobre drogas, parte do pressuposto de que, se não existe uma sociedade livre de drogas, é plausível lançar mão de estratégias para utilizá-las com o máximo de segurança possível, reconhecendo as diferentes possibilidades de uso – do recreacional, ocasional, frequente ao pesado – e, consequentemente, os distintos efeitos: benéficos, neutros ou prejudiciais. Esta abordagem requer a substituição da perspectiva da prevenção para o da educação de crianças e adolescentes. Com base no princípio de que o consumo de drogas resulta de uma relação entre o sujeito, a droga e o ambiente, torna-se imprescindível a educação para a autonomia, para a proteção de si e da comunidade (4,5,6). Os estudos que avaliam as práticas de cuidado aos usuários de drogas nos serviços de saúde brasileiros, tanto na atenção primária quanto na saúde mental, ainda se baseiam no modelo proibicionista.

Atualmente, quem necessita de tratamento no Sistema Único de Saúde devido ao abuso de álcool e outras drogas deve procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD). O atendimento conta com equipes multiprofissionais compostas por médico psiquiatra, clínico geral, psicólogos, dentre outros (1). É muito difícil convencer alguém a não fazer algo que lhe dê prazer; drogas e álcool, antes de qualquer outra coisa, oferecem prazer imediato, e por causarem dependência física, psicológica e síndrome de abstinência são de difícil tratamento. As ações preventivas devem ser planejadas e direcionadas para o desenvolvimento humano, o incentivo à educação, à prática de esportes, à cultura, ao lazer e a socialização do conhecimento sobre drogas, com embasamento científico (1).

Referências:

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Notícias. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/2908-20-02-dia-nacional-de-combate-as-drogas-e-ao-alcoolismo

2. U.S. Department of Health and Human Services. Substance abuse prevention dollars and cents: a cost-benefit analysis. Washington DC: U.S. Department of Health and Human Services; 2008.

3. Strang J, Babor T, Caulkins J, Fischer B, Foxcroft D, Humphreys K. Drug policy and the public good: evidence for effective interventions. Lancet 2012; 379:71-83.

4. Feffermann M, Figueiredo R. Redução de danos como estratégia de prevenção de drogas entre jovens. Bol Inst Saúde 2006; 12:37-40.

5. Acselrad G. Avessos do prazer: drogas, aids e direitos humanos. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2005.

6. Tatmatsu, D.I.B; Siqueira, C.E; Del Prette, Z.A.P. Políticas de prevenção ao abuso de drogas no Brasil e nos Estados Unidos. Cad. Saúde Pública  [Internet]. 2020  [cited  2021  Feb  05] ;  36( 1 ): e00040218. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020000103001&lng=en.  Epub Dec 20, 2019.  http://dx.doi.org/10.1590/0102-311×00040218.