DIA MUNDIAL DA SAÚDE BUCAL

Posted on Posted in Pílulas do Conhecimento
Autoria: Vanessa Tavares de Góis – Teleconsultora Odontóloga do Telessaúde Sergipe
Revisão: Ana Paula Vieira Alves Mendonça - Coordenadora Estadual de Atenção Primária/SES/SE

 

Datas comemorativas referentes à saúde bucal servem de alerta para a importância do cuidado oral para a saúde integral do indivíduo, desde a infância até os idosos. Por isso bons hábitos de higiene bucal e visitas frequentes ao Cirurgião-Dentista são extremamente importantes (1).

A intenção é também lembrar que o cuidado com os dentes, gengiva e mucosa bucal tem papel crucial na capacidade de realizar atividades diversas, como trabalhar e estudar, além de melhorar a autoestima e confiança das pessoas, é também uma oportunidade de sensibilizar e incentivar a população, famílias, comunidades e governos a tomarem medidas para reduzir a incidência de doenças bucais (1).

Durante muitos anos, no Brasil, a inserção da saúde bucal e das práticas odontológicas no Sistema Único de Saúde (SUS) deu-se de forma paralela e afastada do processo de organização dos demais serviços de saúde. Atualmente, essa tendência vem sendo revertida, observando-se o esforço para promover uma maior integração da saúde bucal nos serviços de saúde em geral, a partir da conjugação de saberes e práticas que apontem para a promoção e vigilância em saúde, para revisão das práticas assistenciais que incorporam a abordagem familiar e a defesa da vida (2).

Historicamente, as práticas da Saúde Bucal no Setor Saúde indicam que ela foi desenvolvida a distância, sendo feita praticamente entre quatro paredes, restrita à prática do cirurgião dentista com seu equipamento odontológico. Atualmente, a incorporação das ações de Saúde Bucal pelas Equipes da Família visa transpor esse modelo de organização e prática anterior, sendo altamente desafiador e difícil, na medida em que procura integrar a prática dos profissionais da equipe (2).

De acordo com os mais recentes levantamentos epidemiológicos nacionais em saúde bucal, os Projetos SB Brasil 2003 e 2010, houve melhorias nas condições de saúde bucal relacionadas à cárie dentária aos 12 anos no país (3,4). Em 2003, o índice CPO-D (que se refere a Dentes Cariados, Perdidos e Obturados, respectivamente) aos 12 anos de idade foi de 2,8 e em 2010, de 2,1, o que representou uma redução de 25% no período. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o CPO-D reduziu de 6,2 (2003) para 4,2 (2010). Contudo, a análise dos dados do Projeto SB Brasil 2010 permite afirmar que o CPO-D dobrou dos 12 para os 15-19 anos de idade (4).

Referindo-se à Odontologia, a educação em saúde pode, utilizando-se de recursos e instrumentos relativamente simples e baratos, esclarecer a população a respeito, por exemplo, da importância da prática da alimentação saudável e dos hábitos de higiene para a manutenção da saúde bucal. Pode, ainda, conscientizar grandes massas sobre como os hábitos do cotidiano podem influenciar e melhorar a saúde sistêmica e, consequentemente, a vida das pessoas (5).

Hábitos simples e feitos no dia-a-dia, como escovação e uso do fio dental, podem ser melhorados quando conhecimentos mais qualificados são repassados aos indivíduos, seja de forma individual como em uma consulta, seja de forma coletiva, como em uma palestra, por exemplo. A maioria da população vai à consulta odontológica quando sente algum tipo de dor ou incômodo na cavidade oral. O hábito de consultar o cirurgião-dentista apenas de forma preventiva ainda é de baixa ocorrência.

Para que problemas maiores não ocorram, a população deve conscientizar-se que a prevenção e cuidados orais realizados de forma correta é o caminho inicial. Doenças como cárie, doença periodontal (das gengivas e tecidos de sustentação) podem ser evitadas com a realização da higiene bucal adequada. Hábitos saudáveis como boa alimentação, não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas podem auxiliar na prevenção de outras doenças como por exemplo, o câncer de boca. Assim, as instituições odontológicas recomendam: boa higiene, cuidados com a saúde geral, observação regular da cavidade oral (auto-exame) e consulta regular ao dentista.

 

 

REFERÊNCIAS:

  1. Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas – APCD. Notícia disponível em: http://www.apcd.org.br/index.php/noticias/809/em-foco/20-03-2017/dia-mundial-da-saude-bucal
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Bucal / Ministério da Saúde – Brasília : Ministério da Saúde, 2008. 92 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica; 17).
  3. MINISTÉRIO DA SAÚDE, S.A.S. Projeto SB Brasil 2003: condições de saúde bucal da população brasileira 2002-2003: resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
  4. MINISTÉRIO DA SAUDE, S.A.S. Projeto SB Brasil 2010: Pesquisa nacional de saúde bucal – resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
  5. Castro COC, Oliveira KS, Carvalho RB, Garbin CAS, Santos, KT. Programas de educação e prevenção em saúde bucal nas escolas: análise crítica de publicações nacionais. Odontol Clín Cient. 2012; 11 (1): 51-56.aN