Autoria: Vanessa Tavares de Góis – Teleconsultora Odontóloga do Telessaúde Sergipe
Revisão: Lívia Angélica Silva - Área Técnica Atenção Oncológica e Tabagismo/SES/SE

O avanço da medicina, em especial na área de oncologia pediátrica, tem sido muito grande. Aproximadamente 70%-80% das crianças acometidas pelo câncer podem ser curadas se o diagnóstico for precoce e a doença adequadamente tratada. No entanto, a cura nem sempre é possível, principalmente quando o diagnóstico ocorre já em fase avançada da doença (2).
O câncer infanto-juvenil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer do adulto, na criança, o câncer geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação (1).
Os sintomas do câncer infantil muitas vezes são parecidos com os de doenças comuns. Por isso, consultas frequentes ao pediatra são fundamentais. São esses profissionais que podem identificar os primeiros sinais de câncer e encaminhar a criança para investigação diagnóstica e tratamento especializado (3). Alguns sintomas são: palidez, manchas roxas, dor na perna, caroços e inchaços indolores, perda de peso inexplicável, aumento da barriga, dor de cabeça e sonolência.
Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor do rim), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam ovários e testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles) (1).
Segundo o Atlas de mortalidade do INCA, no ano de 2017, o número de óbitos por câncer infantil no Brasil foi de 2.553; no entanto, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados (1).
A atuação dos profissionais da Atenção Primária na detecção do câncer infantil não se restringe ao processo de suspeita e de encaminhamento do paciente. Após o diagnóstico é necessário estabelecer uma estratégia de comunicação permanente entre todos os níveis de atenção à saúde, pois, mesmo estando em tratamento em outro serviço, o paciente continuará sob a responsabilidade da Equipe da Estratégia de Saúde da Família que atende seu território de moradia (4).
As crianças e adolescentes com até 18 anos possuem tratamento diferenciado garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECRIAD). Eles têm, por exemplo, prioridade no atendimento e direito à convivência familiar, devendo ter a companhia de pelo menos um dos pais ou responsáveis durante todo o tratamento. Sendo pessoas em desenvolvimento, carecem de afeto e cuidados, justificando-se a presença de um familiar que lhe proporcione proteção, segurança e socialização (4).
Os especialistas alertam para que pais e/ou responsáveis, fiquem atentos quanto às reclamações e queixas das crianças, tendo em vista que elas não costumam inventar sintomas. Caso o adulto perceba algo incomum ou anormal, buscar a avaliação de um profissional da saúde, evitar tentar uma resolução caseira ou esperar os sintomas melhorarem.
Cuide do seu pequeno, ele é seu maior tesouro!!







