Hanseníase

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    – Por João Cavalcanti

 

Você sabia?
Mancha na pele pode ser Hanseníase!!! Procure uma Unidade de Saúde, onde poderá ser feito o diagnóstico e instituído o tratamento! Este Diagnóstico é essencialmente clínico.

 

A Hanseníase é uma doença infecciosa, causada por uma bactéria (Mycobacterium leprae) que tem relação direta com as condições sócio econômicas de uma população.

Apesar dos avanços no Brasil, a Hanseníase ainda é um grave problema de saúde pública e temos a incômoda posição de segundo lugar no número de casos da doença, atrás somente da Índia.

A forma de contágio da Hanseníase é pela via aérea, pela aspiração de aerossóis emitidos pela pessoa com Hanseníase e sem tratamento. Por isso a transmissão se dá de pessoa para pessoa e exige um certo grau de convívio – os contatos domiciliares são os mais afetados. O homem é considerado o único hospedeiro natural do bacilo.

Nem todas as pessoas em contato com o bacilo desenvolverão a doença, pois o bacilo apresenta alta infectividade mas baixa patogenicidade1. Ou seja, muitos se infectam, mas poucos adoecem, principalmente aqueles que tiverem uma boa resposta imunológica. Estima-se que 70 a 90% das pessoas sejam resistentes ao bacilo da hanseníase, imunidade esta que pode ser reforçada pela vacina BCG e pelo contato com outras micobactérias.

Quando os infectados pelo bacilo da Hanseníase manifestam a doença, eles evidenciam alguns dos seguintes sinais2:

  • lesão(ões) e/ou área(s) da pele com alteração da sensibilidade térmica e/ ou dolorosa e/ou tátil; ou

  • espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; ou

  • presença de bacilos M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biopsia de pele.

A doença pode se manifestar com:

  • Manchas esbranquiçadas (hipocrômicas), acastanhadas ou avermelhadas, com alterações de sensibilidade (a pessoa sente formigamentos, choques e cãimbras que evoluem para dormência – queima-se ou machuca-se sem perceber);

  • Pápulas, infiltrações, tubérculos e nódulos, normalmente sem sintomas;

  • Diminuição ou queda de pelos, localizada (especialmente sobrancelhas) ou difusa;

  • Falta ou ausência de sudorese no local – pele seca.

  • Espessamento de nervos periféricos

A principal diferença entre a hanseníase e outras doenças dermatológicas é que as lesões de pele na hanseníase apresentam alteração de sensibilidade.

Eliminar a transmissão da hanseníase é um desafio de todos!!! Se uma pessoa possui mancha na pele, é necessário buscar a avaliação de um profissional de saúde para confirmar ou afastar o diagnóstico de hanseníase. Em tendo o diagnóstico confirmado, iniciar a medicação que deve estar disponível em qualquer unidade de atenção básica. A equipe de saúde deve se organizar para realizar busca ativa, instituir e acompanhar tratamento o mais breve possível e realizar vigilância, analisando os contatos da pessoa com a doença. Gestores devem garantir estrutura para realização de exames de sensibilidade, cuidar para que o sistema de saúde disponibilize o tratamento e dos fluxos para os casos que necessitarem de assistência em outros serviços.

    –  Por João Cavalcanti

1 PENNA, G; GROSSI, MAF. Hanseníase. In: DUNCAN, BB et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. p. 1583-1594.

2 BRASIL. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública : manual técnico-operacional [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.