Autoria: Janaina Eduarda Amarante Gonçalves Bispo – Analista em Saúde Pública/Educação na Saúde da Escola de Saúde Pública de Sergipe.
O que é o Caramujo Africano?
É um molusco nativo da África, na verdade, ao contrário do que muitos pensam, a espécie Achatina Fulica (nome científico), é um caracol gigante africano (nomenclatura correta para moluscos de hábitos terrestres). É uma espécie invasora em muitas localidades, inclusive no Brasil. Os caramujos possuem hábitos aquáticos, por isso o correto é nomear de caracol.
Características
Essa espécie é herbívora. Os famosos caramujos são herbívoros, alimentam-se de frutos, folhas, caules, matéria orgânica. Podendo também consumir grãos, entre outras matérias orgânicas. A fecundação é cruzada. Ou seja, ocorre a cópula entre dois seres da mesma espécie. Há alta capacidade reprodutiva principalmente durante as chuvas. Colocam-se em média 200 ovos por postura, 4 a 5 posturas por ano. Durante períodos secos é perceptível resistência nesse comportamento.
Ambientes úmidos e com matéria orgânica abundante são preferenciais para a adaptação. Já existe adaptação aos ambientes urbanos e rurais. É importante a atenção para a identificação da espécie em questão nos terrenos baldios, terrenos com materiais de construção, plantações abandonadas, muros de casas e prédios, ou seja, adaptação em ambientes naturais e antrópicos (qualquer área ou ecossistema que foi modificado, construído ou influenciado pela atividade humana). Características importantes: coloração da concha em branco leitoso a amarelado. Os ovos medem 5-4 mm de comprimento por 4-5 mm de largura, enquanto de outras espécies nativas são grandes e pouco numerosos.
Doenças associadas
O caramujo africano é de importância epidemiológica por ser espécie hospedeira do nematódeo Angiostrongylus cantonensis, causadora, por exemplo, da meningite eosinofílica. Ele também é hospedeiro intermediário de Angiostrongylus costaricensis e Angiostrongylus vasorum (angiostrongiliase canina). Esses nematódeos ocasionam zoonoses.
Angiostrongiliase Abdominal
Causada pelo Angiostrongylus costaricensis cujo ciclo envolve moluscos terrestres. A Angiostrongilíase abdominal afeta humanos em qualquer faixa etária e provoca as seguintes manifestações clínicas: febre, anorexia, náuseas, vômitos, dores abdominais, massas palpáveis no quadrante abdominal inferior direito e obstrução do colo intestinal.
Angiostrongilíase cerebral
As larvas de Angiostrongilíase cantonensis podem ser ingeridas pelo humano como hospedeiro acidental. Ao se alojar nas meninges acarretam um quadro inflamatório que se manifesta por dores de cabeça bastante fortes, vômitos, náuseas m rigidez e dor na nuca, formigamentos nos membros, convulsões, paralisias faciais, hepatomegalia, perda da visão, entre outros sinais e sintomas.
Medidas de controle simples
Todos os municípios que possuem ocorrência de Achatina Fulica precisam realizar campanhas para o controle mecânico que envolverá profissionais de endemia e de manejo ambiental, como também a própria população. Como envolve coleta e catação, é necessário seguir orientações oficiais para que não haja contaminação do ambiente e de pessoas. Devem-se incluir atividades de controle e manejo do ambiente que esteja com indícios de sua ocorrência. A manutenção da limpeza das cidades, bairros e casas é essencial. Esse controle deve ser feito em áreas urbanas, agrícolas, terrenos abandonados, criadouros de animais terrestres, brejos, bordas de mata. Os caracóis coletados devem ser encaminhados para laboratório indicado para a investigação de presença de nematódeos de importância médica.
Orientações para coleta e embalagem
– Utilizar nas mãos luvas de borracha, luvas descartáveis ou sacos plásticos;
– Procurar os caracóis em locais sombreados e úmidos, em folhagens, arbustos, vegetação diversa, em baixo de materiais de construção e entulhos (tijolos, telhas, cerâmica, madeira, etc.) enterrados na areia ou serrapilheira, vasos de plantas, etc;
– Durante a coleta utilizar álcool 70 para higienização das mãos e após a ação lavar as mãos com água e sabão;
– Recomenda-se que seja disponibilizado aos Agentes de Endemias escadas para que as coletas possam alcançar os moluscos que estiverem abrigados em árvores, muros e telhados;
– Organizar o recebimento dos moluscos coletados disponibilizando pontos estratégicos para o descarte, para que ao final da ação, o serviço de vigilância epidemiológica possa efetuar a incineração dos moluscos e trituração das conchas;
– Orientar e instruir a população sobre a catação manual, recomendando sempre o uso de proteção para as mãos ao manusear a A. fulica, evitando-se o contato direto com o molusco.
Obs: Os moluscos coletados devem ser colocados recipientes para serem incinerados. Após
incineração dos caracóis e dos ovos coletados, as conchas devem ser trituradas evitando a proliferação de outros vetores.
Fontes:
GOVERNO DO CEARÁ. Manual Técnico ilustrado para vigilância da Achatina Fulica. 2022. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wpcontent/uploads/sites/9/2022/02/Manual-Caracol-Africano-1.pdf .






