Síndrome do Overtraining: quando o exercício físico se torna prejudicial à saúde

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Autoria: Janaina Eduarda Amarante Gonçalves Bispo – Analista em Saúde Pública/Educação na Saúde da Escola de Saúde Pública de Sergipe.

Síndrome de Overtraining (OTS) se relaciona com treinamentos intensos, de alto rendimento sem a recuperação corporal necessária ou de toda estrutura  fisiológica. O corpo, como uma máquina, também sofre desgaste e possui limites, mesmo que praticar exercícios físicos seja benéfico. O que não é benéfico é o exagero.  Como diz o ditado popular: “Tudo demais é sobra”.

Biologicamente, essa síndrome por excesso de treinamento é um distúrbio neuroendócrino (hipotálamo-hipofisário) que se concretiza em desequilíbrio entre demanda do exercício e assimilação do treinamento, acarretando em alterações metabólicas.

A literatura aponta alterações fisiológicas como conseqüência do overtraining. Através de avaliações da fisiologia de atletas de alto rendimento, estudos demonstram alterações no âmbito do estresse físico, sociocultural e psíquico. Ou seja, flutuações orgânicas.

Comumente percebe-se o aparecimento de alguns sintomas a partir de treinos intensos e sem intervalos para a recuperação: Estado de fadiga, redução de desempenho atlético, incidência de contusões e infecções virais e bacterianas por queda de resistência imunológica, alterações no estado de humor.

Para que não ocorra OTS (síndrome por excesso de treinamento) ou até mesmo sobrecarga temporária que causa queda de desempenho por curto prazo (overreaching) é necessário um plano de treino. Caso os treinos não sejam planejados adequadamente, sem repouso, pessoas em treinos intensos podem desenvolver os problemas citados acima.

A dieta nesse sentido também é extremamente importante. Através de uma alimentação equilibrada é possível repor os nutrientes essenciais para que também sejam precursores de neurotransmissores importantes, como: noradrenalina, dopamina e serotonina.  É importante o consumo equilibrado de proteínas, carboidratos, fibras e gorduras saudáveis.

OTS (Síndrome de Overtraining) e Overreaching são conceitos desenvolvidos, pois o desempenho no esporte é um tema bastante dedicado pela literatura científica. Como os estudos de Marcelo et al (2018); Noce et al (2003); Kreher et al (2012), entre outros.

Dentre os distúrbios psicológicos, Meeunsen et al (2007) identificou como os principais: distúrbios do sono, depressão, fadiga mental, falta de confiança, diminuição da capacidade de concentração, da auto-estima e da auto-eficácia.

As permanências das variações fisiológicas e psicológicas causadas por estresse oxidativo do corpo podem afetar a qualidade de vida e desempenho do praticante diário e do atleta de alto rendimento.

A partir dos sinais e sintomas o profissional habilitado para a avaliação pode concluir ser excesso de treinos intensos ou em desequilíbrio para as condições corporais do praticante. Sendo necessária reorientação das atividades praticadas.

Sempre será melhor lançar mão da prevenção, ou seja, optar por prevenção com treinos alternados com repouso. Em caso de OTS a única solução será repouso prolongado, o que acaba por interromper as atividades do atleta ou praticante. Para que isso não aconteça, é essencial o planejamento do descanso.

O repouso ou folga possibilita melhora do desempenho como demonstram Angeli et al (2004) e Halson (2003). É observado eficiência nos processos de recuperação quando os treinos são alternados com folgas dos treinos.

 

Esse é um tema paradoxo, pois exercícios físicos são benéficos e costumam ser satisfatórios para diversas pessoas, principalmente se sob orientação de profissionais habilitados. Porém sem orientação adequada e sem planejamento correto, o excesso de exercícios pode acarretar em estresse e oxidação corporal.  É necessário equilíbrio de treinos e folgas com objetivos bem elaborados, pois, o corpo como uma máquina sofre desgastes e danos quanto maior for a sua utilização sem acompanhamento. Se máquinas precisam de manutenção, o corpo humano também, além de ser biopsicossocial.  

REFERÊNCIAS

NOCE, Franco; COSTA, Varley Teoldo da; SIMIM, Mário Antônio de Moura; CASTRO, Henrique de Oliveira; SAMULSKI, Dietmar Martin; MELLO, Marco Túlio de. Análise dos sintomas de overtraining durante os períodos de treinamento e recuperação: estudo de caso de uma equipe feminina da Superliga de Voleibol 2003/2004. Rev Bras Med Esporte. v.17.n.6. Dez, 2011. Disponível em :  https://doi.org/10.1590/S1517-86922011000600005.

KREHER, J. B.; SCHWARTZ, J. B. Overtraining syndrome: a practical guide. Sports Health, v. 4, n. 2, p. 128-138, mar, 2012. Disponível em: www.doi.org/10.1177/1941738111434406.

MACEDO, F. S. A. de; MARTINS, L. C. X. Síndrome de overtraining – sintomas e prevenção: uma revisão sistemática. Revista de Educação Física / Journal of Physical Education[S. l.], v. 87, n. 1, 2018. DOI: 10.37310/ref.v87i1.755. Disponível em : https://doi.org/10.37310/ref.v87i1.755.

Meeusen R, Watson P, Hasegawa H, Roelands B, Piacentini MF. Brain neurotransmitters in fatigue and overtraining. Appl Physiol Nutr Metab 2007;32: 857-64.

Halson S, Lancaster G, Jeukendrup A, Gleeson M. Immunological responses to overreaching in cyclists.

Med Sci Sports Exerc 2003;35:854-61.

Angeli A, Minetto M, Dovio A, et al. The overtraining syndrome in

athletes: a stress-related disorder. J Endocrinol Invest. 2004;27:

603-612.