Administração de reforço vacinal contra a COVID-19 – Perguntas e respostas:

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Por: Daniela  Alves Freire - Médica Telerreguladora

Porque idosos receberão dose de reforço (terceira dose) contra a COVID-19?

Em análises temporais atualizadas, observou-se queda progressiva da proteção nos meses mais recentes entre os idosos acima de 70 anos e, principalmente, acima de 80 anos. Identificou-se ainda, nas últimas semanas epidemiológicas, tendência de ascensão da curva de incidência das formas graves da doença nessas faixas etárias.

 

A que se deve o aumento da incidência das formas graves em idosos acima de 70 anos vacinados? 

Estes achados podem estar relacionados à possível diminuição ao longo do tempo da resposta imune após a segunda dose da vacinação nesta população.

 

Por que indivíduos imunocomprometidos devem receber dose de reforço? 

Indivíduos com alto grau de imunocomprometimento apresentam, geralmente, resposta reduzida às diferentes vacinas do calendário vacinal necessitando de esquemas de vacinação adaptados. 

Dados de imunogenicidade de indivíduos vacinados têm demonstrado menores taxas de soroconversão e titulação de anticorpos neutralizantes contra a COVID-19 em indivíduos imunodeprimidos, variando conforme os diferentes graus de imunossupressão. É possível que os achados de menor resposta imune, desta população, estejam relacionados à menor efetividade esperada, potencialmente associada a menor duração da resposta imune.

 

Quem são os indivíduos com alto grau de imunossupressão que receberão a dose de reforço?

Enquadra-se no grupo os pacientes:

  •  • Que possuem imunodeficiência primária grave;
  •  • Que realizam quimioterapia contra câncer;
  •  • Transplantadas de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) em uso de drogas imunossupressoras.
  •  • Portadoras de HIV/Aids com CD4 <200 céls/mm3; 
  •  • Que fazem uso de corticóides em doses ≥20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por ≥14 dias; 
  •  • Que usam drogas modificadoras da resposta imune; 
  •  •  Submetidas a hemodiálise; 
  •  • Com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias). 

 

Quando imunocomprometidos deverão receber a dose de reforço? 

Para os indivíduos com alto grau de imunossupressão o intervalo para a dose de reforço deverá ser de 28 dias após a última dose do esquema básico.

 

Qual o intervalo de tempo da última dose para que idosos recebam a dose de reforço? 

Uma dose de reforço da vacina para todos os idosos acima de 70 anos, deverá ser administrada 6 meses após a última dose do esquema vacinal (segunda dose ou dose única), independente do imunizante aplicado. 

 

Qual a vacina a ser utilizada nas doses de reforço?

A vacina a ser utilizada para a dose adicional deverá ser, preferencialmente, da plataforma de RNA mensageiro (Pfizer/Wyeth). Na falta desse imunizante, a alternativa deverá ser feita com as vacina de vetor viral (Janssen ou Astrazeneca). 

 

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica n° 27/2021. SECOVID/GAB/SECOVID/MS. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/vacinas/NTDoseReforo.pdf. Acesso em: 15 de set. 2021